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Por João Mascarenhas

Notícias

Barrados no Baile: Polícia Civil dificulta trabalho de jornalistas em delegacias

16 mar 2026

| 05:44h | Notícias
Barrados no Baile: Polícia Civil dificulta trabalho de jornalistas em delegacias


Os novos padrões de cobertura institucional jornalística no setor policial vão mudar o relacionamento estreito que existe entre repórteres que cobrem o setor e policiais. Tão estreito que as autoridades determinaram que a circulação de repórteres pelas dependências das delegacias seja evitada, bem como operações policiais não sejam acompanhadas por jornalistas.


O documento publicado no Diário Oficial cita Feira de Santana como um dos pontos mais críticos nestas presenças que parecem toleradas, mas indesejadas – tanto nas delegacias e durante operações. Há quem não se sinta bem com esta proximidade. O ambiente policial, como todos outros, tem situações que devem ser presenciadas ou compartilhadas apenas por servidores de carreira.    


A polícia civil quer centralizar a sua versão dos fatos à sociedade, impor limites à participação direta de repórteres em operações que ponham suas vidas em risco de morte. A medida acaba com uma longa parceria com repórteres que cobrem o setor. Agora, as notícias serão divulgadas por setores especializados no relacionamento com, a imprensa ou por pessoas devidamente autorizadas para falar sobre o acontecido. 


O posicionamento das autoridades, que já deveria ter sido tomada há mais tempo, vai estimular repórteres, sites, jornais e blogs a trabalhar ainda mais, ampliar a sua rede de contatos e a estreitar ou criar relacionamentos confiáveis com fontes. Terão que aprender a ouvir outras versões dos acontecimentos. Sempre vai ter outros olhos com disposição para informá-los. Anonimamente, claro.
 

A polícia civil não pôs barreiras à atividade jornalística no setor ou fechou os canais para os profissionais, apenas a normatizou, visto que existe a possibilidade da implantação de núcleos de comunicação nas diretorias regionais da instituição. Mas, acredita-se, que os casos de maior impacto serão centralizados pela Assessoria de Comunicação ou por autoridade policial previamente autorizada pelo Gabinete do Delegado-Geral, em Salvador. 


Entretanto, estes núcleos de comunicação deverão ser ágeis nas divulgações dos fatos de interesse público e os repórteres não devem se procurar, mas ir a campo à busca do outro lado da notícia.


[Imagem gerada por IA]: O documento publicado no Diário Oficial cita Feira de Santana como um dos pontos mais críticos nestas presenças que parecem toleradas, mas indesejadas


(Por: Batista Cruz)



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